Artigo encabeçado por professor da UFMG aprimora terapia que trata câncer de pele e fibromialgia

Estudo encabeçado por professor da UFMG apresenta aprimoramentos da terapia fotodinâmica, técnica testada para o tratamento de câncer de pele e fibromialgia. A pesquisa mostrou que a degradação dos chamados fotossensibilizadores, que são as moléculas usadas para tornar as células mais sensíveis à luz, é um passo fundamental para a ação desses compostos. Até então, acreditava-se que, para serem eficientes, os fotossensibilizadores não poderiam sofrer degradação por luz (fotobranqueamento) durante o processo.

A investigação foi realizada por Thiago Teixeira Tasso, do Departamento de Química da UFMG, durante estágio de pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP). A partir dos resultados obtidos, Tasso e outros oito pesquisadores de um grupo vinculado ao Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina da USP (Redoxoma) desenvolveram um artigo publicado recentemente no Journal of the American Chemical Society, no qual explicam a metodologia e conclusões das análises.

As técnicas da terapia fotodinâmica são feitas à base de compostos que, ao serem expostos à luz, desencadeiam processos bioquímicos capazes de romper a membrana de células-alvo. Para chegar às conclusões descritas no artigo, os pesquisadores desenvolveram diferentes pigmentos orgânicos sensíveis à luz conhecidos como porfirazinas. O objetivo foi entender quais processos essas moléculas induzem na membrana das células quando expostas à luz.

Todas as porfirazinas usadas na pesquisa eram capazes de gerar a mesma quantidade de oxigênio singlete (espécie eletronicamente excitada da molécula de oxigênio), um conhecido fator indutor de oxidação das membranas expostas à luz. Desse modo, os pesquisadores puderam observar com mais atenção os outros processos causadores de dano celular induzidos pelos pigmentos.

“Vimos que as porfirazinas, além de atuarem como fotossensibilizadoras por meio do mecanismo já conhecido de produção de oxigênio singlete, também atuam como agentes oxidantes por reações de contato, removendo elétrons diretamente das duplas ligações dos lipídios. O resultado dessas reações é a formação de radicais livres, que oxidam os lipídios presentes na membrana das células e geram mais danos, potencializando seu efeito”, explicou Thiago Teixeira Tasso.

Em um trabalho anterior, o grupo já havia demonstrado que um fator importante para causar danos irreversíveis às membranas era a formação de aldeídos lipídicos, substâncias que abrem poros na estrutura externa da célula e levam ao vazamento do conteúdo interno.

Artigo: Photobleaching Efficiency Parallels the Enhancement of Membrane Damage for Porphyrazine Photosensitizers
Autores: Thiago T. Tasso; Jan C. Schlothauer; Helena C. Junqueira; Tiago A. Matias; Koiti Araki; Érica Liandra-Salvador; Felipe C. T. Antonio; Paula Homem-de-Mello; Mauricio S. Baptista*
Data de publicação: 6 de setembro, 2019

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